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Entrevista com Hernani Dimantas e transcrição com links

Hernani Dimantas: Apropriação da Rede e Lixo Eletrônico

Olá, meu nome é Hernani Dimantas... hoje eu sou coordenador do Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária (LIDEC) da Escola do Futuro da USP (Universidade de São Paulo). Um veterano da Internet... em 2001 eu tinha um blog - ainda tenho este blog - que é o Marketing Hacker, que abriu um espaço para alguns outros projetos, outros experimentos que a gente fez durante estes dez anos... Projetos tipo o Metáfora e o Metareciclagem.

Como o consumo de gadgets influencia na produção de cultura?

Depois de algum tempo em rede, a gente tem que o consumo da ferramenta, dos gadgets, etc, é um consumo que vai... ele vai criando cultura também, a gente entrando na rede, na Internet, vai usando as coisas, e também se começa a se apropriar... e isso também vira uma coisa de comunidade.

Do ponto de produção cultural, eu ainda acho que tem um caminho muito grande ainda para se compreender, entender e realmente fazer mais coisas. Tem uma frase legal do David Weinberger que ele fala: será que o uso de Wikipedia, de Orkut, Facebook, mídias sociais vai modificar, no futuro, uma democracia participativa? Porque eu acho que o a gente está falando é de uma desintermediação de tudo, inclusive da representação política, etc. Então ele tem uma função cultural, uma função política, uma função de desintermediação que é muito importante na Internet.

Quem saiu na frente na transformação de teoria em prática?

Projetos de inclusão digital, como Acessa São Paulo ou como projetos como o da prefeitura, de 2002, de 2001, que era o projeto telecentros... o Cultural Digital do Ministério da Cultura... todos eles começaram a beber um pouco desta fonte do que foi discutido e debatido durante estes anos de 2001, 2000, etc, por um monte de gente. Mas os governos se apropriaram melhor destas redes sociais, eu acho que era uma via que não estava sendo trabalhada, a via da comunidade. "Você é de um programa de inclusão digital, e aí? O que é que você vai dar para a comunidade?". Então você vê que os projetos de governo, eles absorveram melhor blogs, etc, desde o começo, desde 2003, 2004, já está se fazendo isso. Enquanto que as empresas começaram a deslumbrar este mercado em 2009, em 2008.

Como você vê a questão do lixo eletrônico no Brasil?

Há 2 anos nós montamos um blog chamado lixoeletronico.org. É um coletivo... e a gente acabou juntando este pessoal para debater o que era o lixo eletrônico - para dar evidência ao problema. Eu acho, a gente percebe que, por um lado a gente trabalha com esta idéia de inclusão digital - de colocar mais gente usando computador. Por outro lado você cria também o lixo. Então a contrapartida da inclusão digital é o lixo eletrônico.

Acabou de sair um relatório - se não me engano foi da ONU - um relatório que coloca o Brasil numa situação muito ruim dentre os países em desenvolvimento... o Brasil tem o maior volume de lixo eletrônico e o pior manejo deste lixo. Então a gente percebe que tem que se fazer alguma coisa aqui no Brasil. A coisa é séria... a cadeia do lixo eletrônico é uma cadeia muito difícil porque ela não se fecha de uma maneira tão simples... você tem peças que você pode reaproveitar como peça já, com a utilização, quer dizer, uma peça industrializada que está sendo reciclada - eu não preciso reciclar o computador, eu posso reciclar o motorzinho. Então tem uma série de subprodutos desta reciclagem que a gente tem que estar questionando a reutilização disso daí.

No Brasil, o projeto-lei que é de 91, ele tinha retirado o lixo eletrônico deste projeto de resíduos sólidos. Nós fizemos um manifesto dentro do lixoeletronico.org, nós conseguimos incluir de volta o lixo eletrõnico.

Você tem que ter uma melhor logística do governo para se ter esta coleta deste produto e a regulamentação também de como vai funcionar a reciclagem... as empresas de reciclagem tem que ter vontade de investir no Brasil. Então tem todo um debate que nós estamos tentando construir, junto com outras... com empresas, com parcerias, com conversas com o governo, para estabelecer, em curto prazo, alguma política que possa ser importante para a gente dar cabo deste lixo.

O que evoluiu deste o início do Marketing Hacker?

As coisas andaram muito de 2001 para cá. Então muita coisa se tornou realidade. Toda aquela utopia de as pessoas conversarem, das pessoas estarem em rede... o suporte de qualquer tipo de conversa pode ser resolvido num fórum, numa lista, numa mídia social qualquer...

O software livre é um bom exemplo mas não é o único, tem outras coisas acontecendo, outros setores que vão se organizando. Você começa a ver as empresas se apropriando da Internet de uma maneira mais... da conversa que há na Internet, e não querendo vender... como era em 99, 2000.

Então eu acho que está tendo uma apropriação, mas é um mundo diferente, é difererente do que era antes da Internet. A gente vai ter que mudar muita coisa, vai ter que trabalhar muito este formato... como as coisas estão se rearranjando.

Qual a visão para o presente e futuro?

Então a gente tem um projeto que tá olhando pra Internet, não a Internet de 2001, mas a Internet de 2014, 2015... o que a gente pode fazer, e como a gente pode também incluir mais pessoas... como as pessoas podem se apropriar desta tecnologia. E muita vezes - a forma que as pessoas se apropriam - muitas vezes ainda não estão em 2014. Hoje nós estamos falando em 2010 mas tem os projetos de inclusão digital, ainda estão em 2005. As pessoas não tem tempo de Internet. Porque a questão da Internet também é horas de voo. Quanto mais você está, mais você vai aprendendo, você vai reutilizando, vai entendendo como ela funciona e vai se alimentando dela. A gente tem que trabalhar com esta abrangência de tempo... olhar pra 2014, mas também trabalhar em 2005. E assim vai se montando todo uma... o que a gente chama de rede social.

Apresentação da Ponline AcessaSP na Campus Party

Apresentação que fiz com Dani Matielo e Robson Leandro na Campus Party 2010. Ponline é a metodologia de pesquisa desenvolvida pelo LIDEC - Escola do Futuro - USP que utiliza pesquisa online com controle amostral garantido presencialmente. Na apresentação trazemos o case AcessaSP, traçando um raio-x dos usuários dos telecentros do AcessaSP.

Vinícius e Toquinho na TV italiana

A Felicidade, Garota de Ipanema, Canto de Ossanha, Samba da Benção, A Tonga da Mironga do Kabuletê.

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